Faz um bom tempo que não escrevo. Por vezes tem sido difícil manter a disciplina e motivação para isso. Para tanto, resolvi me desafiar a escrever ao menos 1 vez por semana sobre os temas propostos acima. O desafio é diário, mas quero ir com calma e pretendo escrever semanalmente em vez de diariamente. Ou ao menos fazer dois textos por semana, mas aí vai depender do quanto eu conseguir me auto-motivar. Enfim, lanço aqui meu primeiro texto do desafio de escrita!
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1 - Descreva um lugar
A Fortaleza da Solidão
A Fortaleza da Solidão é, basicamente, o quartel-general do Superman, sendo o local onde guarda seus artefatos. Falarei aqui sobre meu quarto. Ao final deste texto você entenderá a relação.
Meu quarto é um lugar um tanto quanto peculiar. É nele onde guardo meus artefatos, embora nenhum seja exatamente de Krypton (ou será que sim?). Às vezes está arrumadinho, às vezes uma bagunça generalizada. Acho que isso reflete um pouco (ok, admito; muito) de mim. É possível achar um pouco de tudo nele: um carregador de celular pendurado na tomada, um cofre-gato onde guardo algumas de minhas poucas economias, um cachorro de pelúcia que ganhei de minha mãe há alguns anos, um Xbox One que é, por sinal, meu maior refúgio, vários livros não terminados, fones de ouvido e cadernos cheios de anotações e rabiscos. De vez em quando meu guarda-roupa fica levemente mais colorido, com alguns recados que colo pra mim mesma. Inclusive, neste momento, há um me lembrando de regar minhas plantas. Ah, a idade. Nos faz mudar nossas prioridades, não? Sabe como é, leitor, preciso anotar certas tarefas pra não esquecer. A essa altura, já não devia ser surpresa. Meu quarto é minha Fortaleza da Solidão, como a do Superman. Meus artefatos e minhas kriptonitas, minha força e minhas fraquezas escondem-se entre paredes bege e vermelhas chapiscadas que, embora machuquem quando forçadas, são o maior detalhe de mim: não me apertar/sufocar, ou também acabarei lhe machucando.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
domingo, 23 de dezembro de 2018
Ode aos quietos
Ei,
Tá tudo bem.
Não há problema algum em ser quieto, mesmo que a maioria te diga o contrário. E como dirão.
Não faz mal trocar a balada de sábado pelos filmes com pipoca debaixo das cobertas. É o seu jeito.
Aliás, tá tudo bem em não se sentir à vontade no meio de centenas de desconhecidos, ou até centenas de conhecidos, que seja, e preferir um jantar intimo com um pequeno grupo de amigos. Você não é menos que ninguém por isso.
Não tem problema preferir ouvir a falar, dizer algo apenas quanto tiver algo importante a dizer e não sentir necessidade de preencher "silêncios constrangedores", pois pra vocês eles são é confortáveis.
Eu sei, o mundo constantemente nos prega o oposto, que devemos gostar de falar e socializar o tempo todo. E eles não estão totalmente errados, pois é o jeito deles, mas tenha em mente que você também não está. Não estamos. É nossa personalidade quieta, introvertida, que nos faz ser assim.
E dane-se quem não entende ou procura entender. Danem-se aqueles que te acham antipático apenas por não querer conversar. Dane-se o mundo que, muitas vezes, não sabe a hora de parar de falar. Afinal, não é o silêncio que vale ouro?
Tá tudo bem.
Não há problema algum em ser quieto, mesmo que a maioria te diga o contrário. E como dirão.
Não faz mal trocar a balada de sábado pelos filmes com pipoca debaixo das cobertas. É o seu jeito.
Aliás, tá tudo bem em não se sentir à vontade no meio de centenas de desconhecidos, ou até centenas de conhecidos, que seja, e preferir um jantar intimo com um pequeno grupo de amigos. Você não é menos que ninguém por isso.
Não tem problema preferir ouvir a falar, dizer algo apenas quanto tiver algo importante a dizer e não sentir necessidade de preencher "silêncios constrangedores", pois pra vocês eles são é confortáveis.
Eu sei, o mundo constantemente nos prega o oposto, que devemos gostar de falar e socializar o tempo todo. E eles não estão totalmente errados, pois é o jeito deles, mas tenha em mente que você também não está. Não estamos. É nossa personalidade quieta, introvertida, que nos faz ser assim.
E dane-se quem não entende ou procura entender. Danem-se aqueles que te acham antipático apenas por não querer conversar. Dane-se o mundo que, muitas vezes, não sabe a hora de parar de falar. Afinal, não é o silêncio que vale ouro?
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Meta de Relacionamento
Tarde de domingo. Você está ali, deitada em sua cama, entediada e, ao mesmo tempo, pensando na semana que está prestes a se iniciar. Então, resolve abrir o Instagram. Rola tela abaixo, curte algumas fotos, tudo numa repetição de movimentos praticamente fordista, e eis que descobre uma verdade um tanto quanto perturbadora: aquele casal famoso que você tanto admirava havia se separado. Poxa, mas eles eram tão felizes. Será?
Dia destes vi que uma conhecida havia postado foto com um rapaz desconhecido para mim. Ué, ela e o Marcos terminaram? Mas eles formavam um casal tão bonito, bacana e divertido, e estavam há tanto tempo juntos. Eram daqueles em que a gente meio que sente aquela invejinha branca, sabe? Meio comercial de margarina. Daqueles que poderiam muito bem colocar um #metaderelacionamento em cada foto que todos compraria a ideia (eu, inclusive).
Mas a coisa não é bem assim. Aquela foto perfeita de um casal feliz pode esconder intrigas que jamais serão escancaradas nas redes sociais. Aquela foto com a praia sendo pano de fundo e um sorriso libertador pode camuflar uma relação desgastada, cheia de ciúme, possessividade, controle e jogos psicológicos infindos. Aquele casal que você coloca como meta de relacionamento pode ser qualquer coisa, exceto perfeito. Aliás, ninguém é.
A verdadeira meta de relacionamento é aprender a dar valor a quem te fará sorrir muito mais do que chorar; te incentivará a ser alguém melhor; te apoiará em qualquer decisão, mesmo que ela não concorde; será seu/sua melhor amigo/a; te respeitará, acima de tudo. Não estou dizendo que não se pode admirar - ou até mesmo se inspirar, por que não? - em fotos bacanas de casais. O problema está em focar apenas nas poses e se esquecer do que é real. Afinal, somos todos perfeitos em nossa imperfeição, e relações deveriam ser uma consequência, e não um objetivo.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Aos quase 30
Aos 29 anos, posso dizer que:
Aprendi que é preferível me cuidar e ter uma pele boa a cobrir com quilos de maquiagem para mascarar imperfeições, mas caso esteja no clima para um visual mais ousado e elaborado, não há problema algum também.
Aprendi que não tenho tempo ou paciência sobrando para jogos emocionais ou de sedução. Quer? Vá atrás! Gostou? Demonstre. Ficou com vontade de ligar na mesma noite ou encontrá-la(o) novamente ainda na mesma semana? Então não perca tempo! Adiar a felicidade, mesmo que esta seja apenas uma faísca momentânea, por orgulho é egoísmo com seu próprio bem-estar.
Aprendi que de nada adianta ter um emprego em um lugar renomado ou com salário bom se a gente vive doente. E que também o reconhecimento só vem após muito trabalho, suor e sangue derramado.
Aprendi que se antigamente, na adolescência, era mal visto ter poucos amigos, hoje em dia é um privilégio ter aqueles poucos, mas fiéis, com quem contar.
Aprendi que a única forma de se livrar das relações tóxicas, sejam amizades, chefes, relacionamentos amorosos ou até familiares, é cortando o mal pela raiz. Não, as pessoas não vão mudar porque não se acham erradas. Elas repetem padrões que aprenderam ao longo dos anos e projetam suas inseguranças nos outros.
Aprendi que nem sempre o melhor é estar rodeado de muitas pessoas, mas sim ter as companhias certas e no momento certo.
Aprendi que deixar de amar por medo de sofrer é egoísmo. Sofrimento não é bom, mas nunca será tão ruim quanto a gente imagina. A vida passa e a dor também.
E, principalmente, aprendi aos quase 30 que mais do que aprender a ir em frente, sempre reto, é preciso saber lidar com os altos e baixos. Porque é isso a vida. A combinação de cada marca deixada por outras pessoas, cada cicatriz, conquista, fracasso e cada vez que a gente levanta novamente.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Faxina
Deixei de lado tudo o que me podava e permiti que minhas raízes e meus galhos crescessem novamente. Lustrei meu melhor sorriso e saí por aí. Abandonei as lágrimas e deixei somente a chuva escorrer em meu rosto. Dei-me uma chance de me abrir, me entregar, e até de me decepcionar novamente, por que não?
Queimei os papeis acumulados e adotei um novo papel em minha vida: o de me redescobrir e me reinventar sempre que possível e necessário. Fingi estar bem muitas vezes para não ter de encarar a realidade de que, na verdade, cumpria apenas o papel da existência, mas agora escreverei os novos capítulos.
Queimei os papeis acumulados e adotei um novo papel em minha vida: o de me redescobrir e me reinventar sempre que possível e necessário. Fingi estar bem muitas vezes para não ter de encarar a realidade de que, na verdade, cumpria apenas o papel da existência, mas agora escreverei os novos capítulos.
Porque a vida é assim mesmo. A gente mantém aquilo que faz bem, mas também temos que nos livrar daquilo que não nos serve mais para dar lugar a coisas melhores. Não se encontra um emprego digno enquanto se está preso àquele chefe abusivo. Não se encontra aquela pizza maravilhosa enquanto continuar pedindo a mesma comida chinesa de sempre. Não se escreve uma história enquanto continuar batendo na mesma tecla.
O coração também é assim. Às vezes a gente passa tanto tempo reciclando os mesmos velhos sentimentos, tentando reaproveitá-los à exaustão, quando na verdade deveriam ir para o aterro. Temos aquela ideia de que não podemos desistir nunca, mas muitas vezes não é bem assim não. Acredite, desistir pode ser um ato de coragem e de amor-próprio. E se não fizermos uma limpeza de vez em quando, ficaremos iguais àqueles acumuladores dos reality shows, que fisgam-se ao passado e não conseguem desapegar. Não me levem a mal, mas acho que tanto o apego quanto o desapego têm seu lado bom, embora muito se pratique este segundo. O problema é quando o medo da novidade, do abandono e da felicidade nos travam, e aí vem a tal da estagnação.
Enfrentei meu medo de deixar as lembranças proporcionadas pelos objetos e objetivos velhos irem embora, quando na verdade elas já nem eram mais a prioridade da minha mente. Era eu quem insistia em mantê-las ali, presas. Eram eu quem continuava a caminhar reto quando deveria ter procurado atalhos. Era eu quem mantinha um círculo vicioso de apegos que já não me pertenciam mais. Mas a gente aprende. Um dia percebemos que é possível, sim, se desvencilhar e iniciar um novo ciclo. Pode até incomodar no início, mas nunca é tão ruim quanto imaginamos que seria. E desejo a você muitos e muitos novos ciclos, e que toda a pele morta de seus anseios seja esfoliada e renovada.
Enfrentei meu medo de deixar as lembranças proporcionadas pelos objetos e objetivos velhos irem embora, quando na verdade elas já nem eram mais a prioridade da minha mente. Era eu quem insistia em mantê-las ali, presas. Eram eu quem continuava a caminhar reto quando deveria ter procurado atalhos. Era eu quem mantinha um círculo vicioso de apegos que já não me pertenciam mais. Mas a gente aprende. Um dia percebemos que é possível, sim, se desvencilhar e iniciar um novo ciclo. Pode até incomodar no início, mas nunca é tão ruim quanto imaginamos que seria. E desejo a você muitos e muitos novos ciclos, e que toda a pele morta de seus anseios seja esfoliada e renovada.
quinta-feira, 11 de maio de 2017
Pessoas sanguessugas
As sanguessugas são anelídeos capazes de, como o próprio nome já sugere, se alimentam do sangue de animais vertebrados para se manterem vivos. Porém, foi descoberta uma espécie nova destes animais, humana. Vamos falar sobre eles?
Com certeza você já viu uma pessoa sanguessuga. Ela pode vir de qualquer lugar e se travestir de namorado(a), cônjuge, parente, amigo(a), conhecido(a) ou até mesmo chefe. Estes parasitas podem sugar tudo o que há de mais precioso, como tempo, energia ou boa vontade. Podem ser revelados em diversas situações e faces:
- O amigo que vive desabafando e pedindo conselhos, mas que foge ao primeiro sinal de quando é você quem precisa de ajuda;
- O(a) ex-namorado(a)/ex-cônjuge que não superou o término e não aceita vê-la(o) seguindo bem a vida sem ele(a), tornando sua vida um inferno;
- Aquele parente ou conhecido que nunca aparece sequer para dizer um "olá", mas vive pedindo favor;
- O chefe que lhe atribui centenas de funções novas e que nada têm a ver com seu cargo original sem pagar um centavo a mais por isso;
- Aquela pessoa que vive pra baixo, acaba com sua energia para se sentir bem e não se importa se você ficará mal.
Como removê-las:
Para remover o animal de sua pele, é preciso localizar sua parte mais fina, a ventosa, e soltá-la com a unha. No caso das pessoas sanguessugas, o processo é um pouco mais complicado. Como já vimos, muitas vezes são pessoas de nosso convívio diário, e livrar-se delas pode não acontecer de uma hora pra outra. Elas estão tão acostumadas a conseguirem o que querem que receber um não pode ser um verdadeiro choque, mas é preciso ser forte.
- Aprenda a dizer NÃO. E esta dica vale para absolutamente tudo o que potencialmente lhe fará mal;
- Faça o que achar conveniente, e não o que esperam de você. Assim, será mais fácil atrair pessoas que gostarão de você pelo que realmente é, e não pelo que pode oferecer;
- Manter sempre o olhar atento. Como sanguessugas podem ser pessoas que você jamais esperaria, é sempre bom perceber como você se sente quando esta pessoa está por perto e comparar com os outros, que te fazem bem. Percebeu algo errado? Arranque-a pela ventosa!
Como removê-las:
Para remover o animal de sua pele, é preciso localizar sua parte mais fina, a ventosa, e soltá-la com a unha. No caso das pessoas sanguessugas, o processo é um pouco mais complicado. Como já vimos, muitas vezes são pessoas de nosso convívio diário, e livrar-se delas pode não acontecer de uma hora pra outra. Elas estão tão acostumadas a conseguirem o que querem que receber um não pode ser um verdadeiro choque, mas é preciso ser forte.
- Aprenda a dizer NÃO. E esta dica vale para absolutamente tudo o que potencialmente lhe fará mal;
- Faça o que achar conveniente, e não o que esperam de você. Assim, será mais fácil atrair pessoas que gostarão de você pelo que realmente é, e não pelo que pode oferecer;
- Manter sempre o olhar atento. Como sanguessugas podem ser pessoas que você jamais esperaria, é sempre bom perceber como você se sente quando esta pessoa está por perto e comparar com os outros, que te fazem bem. Percebeu algo errado? Arranque-a pela ventosa!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Criança perdida
Perdi-me em mim.
Perdi-me em meu supermercado interior e ninguém chamou meu nome no rádio a fim de me buscar.
A inocência não é mais um padrão. De tanto foco em maturidade, apodreci. Minha espontaneidade deu lugar à proatividade. O "estar certo" passou a ser mais visado que o "estar em paz". Apatia espelhando-se na afasia.
Nunca fui o melhor. Nunca fui meu melhor; pelo menos não para mim. Um grito fantasiado de sussurro insiste em tentar escapar. Soco a parede para tentar aliviar essa sensação.
Acendo um charuto e ponho meu velho LP do Pink Floyd para rodar enquanto minha cabeça também gira. O som de querer que estivesse aqui, de duas almas perdidas nadando em um aquário ano após ano ecoa pela sala de estar.
Não há outra alma. Sou eu, e apenas eu mesmo. O tempo passa tão ligeiro diante dos olhos que mal percebi o quanto, e, pior ainda, o que exatamente deixei de lado. Esqueci-me de mim. Esqueci-me do quanto valho, de que sou a pessoa mais importante de minha vida. Esqueci-me de alimentar aquela criança que vive dentro de mim e nunca mais teve seu espaço.
Perdi-me em mim. Perdi-me em contratos, ternos, charutos, apertos de mão e sorrisos forçados.
Só queria poder te abraçar, mimar e dizer que sinto muito por ter me esquecido de você, de não ter alimentado sua ingenuidade e inocência. Sinto muito por ter me esquecido de você.
Esqueci-me de mim.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
Crônica sobre o abraço
Um abraço nunca é um mero abraço.
Um abraço é cumprimento, despedida, alento ou conforto. É o encontro de dois corpos e a aproximação de dois corações.
Um abraço pode despertar sentidos ou sentimentos. Tem poderes que dariam inveja a qualquer super-herói, como parar o tempo por alguns segundos.
Um abraço pode reconstruir os pedaços quebrados da alma e acalentar cada centímetro do corpo alheio.
Um abraço pode ser solução. Muitas vezes, só queremos que alguém nos envolva em seus braços. E, de repente, o mundo à volta vira apenas um borrão.
Um abraço é fortaleza. É, às vezes, mais íntimo que a própria carne.
Um beijo pode ser apenas outro beijo. O sexo pode ser apenas casual. Mas o abraço, ah...
O abraço é o que há de mais puro na alma.
O abraço nunca é um mero abraço.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
(Com)parar
Outro dia, em uma conversa dentre tantas outras, falava sobre um escritor de quem gosto bastante, e que há alguns meses lançou seu terceiro livro. Alguns sabem, outros não, mas uma de minhas maiores vontades é lançar meu próprio livro. Pensando nisso, soltei "a situação está ruim pra mim, não?! Ele é mais novo que eu e já está em seu terceiro título, e eu nem consegui escrever meu primeiro". E, com isso, caí em uma armadilha muito comum em minha vida, e acredito que na de muitos de vocês também: comparar-se aos outros.
Durante a vida toda, somos bombardeados com frases não-solicitadas, como:
- Seu primo passou em um concurso público e está com um salário ótimo. Você devia tentar também;
- Emagreci 10 kg com essa dieta. Vou te passar depois;
- Já está na hora de vocês se casarem, não?! Eu me casei com 5 meses de namoro.
Vou dizer agora porque vocês devem parar de dar atenção a esse tipo de discurso.
As pessoas são diferentes. Suas histórias de vida e as circunstâncias que as levam a tomar decisões são diferentes. E mesmo que as ideias sejam as mesmas, os caminhos que percorremos até mentalizarmos que tal ideia é a mais pertinente para nossa vida é distinto. O que funcionou para você pode não ser o ideal para outra pessoa, e vice-versa. Já dizia Caetano Veloso que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, e mais ninguém pode sentir na pele o que você sente. Portanto, não há motivo para se compararem a ninguém. Cada coisa leva seu tempo, e não há porque apressar a sua vontade em função da do outro. A única pessoa com quem você deveria se comparar é com você mesmo, e perceber o quanto já deve ter amadurecido e atingido nos últimos anos. Sentir-se inferiorizado (ou superior) só traz desgaste.
Enfim, por sermos maravilhosamente únicos, temos nosso próprio tempo, sem querer citar Renato Russo, nossas próprias vontades, desejos, necessidades, anseios e aspirações. Portanto, essa individualidade deveria ser respeitada. E qual a graça de ser uma cópia do outro, afinal?
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
O que aprendi com Friends
(Já aviso que este post terá alguns SPOILERS. Portanto, caso ainda não tenha terminado de assistir ou tenha intenção de ver algum dia, sugiro que PARE por aqui e volte mais tarde. Caso não se importe com isso, vá em frente.)
Ah, mas é claro que uma hora eu escreveria sobre isso, né?! Já postei antes sobre How I Met Your Mother, e agora é a vez da minha favorita: Friends, considerada um marco nas séries mundiais, especialmente comédias, inspirando várias outras sitcoms posteriormente, incluindo HIMYM.
Assim como fiz em meu post anterior, pretendo falar um pouco sobre a história da série e seus seis personagens principais, indicando o que aprendi com cada um deles em diversas situações ao longo de suas dez temporadas. Prontos?
Friends ambienta-se na cidade de Nova Iorque, especificamente no bairro Greenwich Village, na ilha de Manhattan. A série gira em torno das relações de amor, amizade e de trabalho entre Monica (Courteney Cox), Joey (Matt LeBlanc), Rachel (Jennifer Anniston), Ross (David Schwimmer), Phoebe (Lisa Kudrow) e Chandler (Matthew Perry), seis amigos que costumam frequentar praticamente diariamente a cafeteria Central Perk. O enredo é bem simples, e a graça está justamente nos conflitos e no desenrolar de cada episódio, além dos inúmeros e hilários personagens secundários.
Monica Geller: é uma chef de cozinha e irmã caçula de Ross Geller. Controladora e obsessiva por limpeza, Monica é sempre a anfitriã dos eventos da turma e faz o possível para que todos sempre se sintam acolhidos - uma verdadeira mãe do grupo. Acredito que os maiores ensinamentos que ela nos traz são sobre como enfrentar o passado e como, muitas vezes, o que mais procuramos pode estar bem ao nosso lado o tempo todo, basta nos permitirmos enxergar. Monica um dia foi obesa e lida com vários fantasmas de seu antigo corpo e estilo de vida. Além disso, casa-se com Chandler, mostrando-nos que, independentemente do que procuramos, às vezes só precisamos olhar por perto para encontrarmos o que estamos buscando. As coisas podem ser mais simples do que imaginamos, mas temos essa mania de complicar, senão, em nossa cabeça, não vale a pena, pois não sentimos que fora uma conquista. Entretanto, Monica nos prova o contrário.
Joey Tribbiani: o único homem de uma grande família de 8 irmãos, nasceu e foi criado no bairro Queens. Trabalha como ator, tendo o papel recorrente como dr. Drake Ramoray na novela Days Of Our Lives, até o dia em que seu personagem cai no elevador, matando-o. Joey é um personagem ingênuo e, muitas vezes, até visto como estúpido, porém extremamente leal a seus amigos, especialmente Chandler, com quem divide o apartamento até este se casar. É mulherengo e conquistador, sempre utilizando sua frase de efeito "How You Doin'?". O maior aprendizado que Joey me trouxe é que não há problema algum em mostrarmos nosso lado mais vulnerável. Pelo contrário, isso só nos fará mais humanos. Isso porque o personagem é o mais sensível de todos, e o que melhor percebe quando seus amigos passam por algum problema.
Rachel Green: filha de uma família muito rica, Rachel sempre foi mimada, desajeitada e um tanto quanto passiva. A ponto de se casar com Barry, larga-o no altar e vai viver com Monica, sua amiga de infância e adolescência, em seu apartamento, onde muda completamente de vida. Arruma um emprego como garçonete na cafeteria Central Perk e passa a tomar conta da própria vida. Anos mais tarde, consegue trabalho em sua área de atuação favorita - moda - e com o passar do tempo vira uma profissional de sucesso. Passa, inclusive, a ser "a única filha de quem o pai realmente se orgulha", segundo as palavras de uma de suas irmãs, Jill. Portanto, Rachel tem um papel importante na série ao mostrar que um dos primeiros passos para a real maturidade é a conquista da independência, e embora haja lá seus altos e baixos (e que vida não é assim, afinal?), a personagem cresce muito.
Ross Geller: irmão mais velho de Monica, é um doutor em Paleontologia, trabalhando inicialmente apenas no Museu de História Natural, e, posteriormente, atua como professor universitário. Nerd assumido, casa-se com Carol, com quem teve um filho, Ben. Porém, descobre que sua esposa é homossexual. Além disso, casa-se, também, com Emily, e posteriormente com Rachel, por quem nutre uma paixão desde a adolescência. Seus três divórcios são uma piada recorrente na série que o deixam bastante inseguro. Ele e Rachel têm uma filha, Emma. Ross é considerado por seus pais o filho favorito, fazendo com que Monica se sinta insegura e gerando uma grande competitividade entre os dois. Mesmo quando está solteiro, nunca se descuida de seu lado paterno sendo muito dedicado e amoroso.
Phoebe Buffay: Phoebe tem uma história de vida bastante complicada. Foi abandonada por sua mãe biológica, morou nas ruas, viu sua mãe adotiva se matar e passou anos sem conhecer seu pai, além de ter um relacionamento conturbado com sua irmã gêmea, Ursula. Apesar de tudo isso, é uma mulher pacífica, alegre, bem humorada e desencanada, fazendo o que bem entende sem se preocupar com o que vão pensar. Teve vários empregos, mas durante a série trabalha como massagista terapêutica. É bem altruísta, a ponto de ser barriga de aluguel para seu meio-irmão, já que sua noiva não poderia mais ter filhos por causa da idade, gerando trigêmeos. Phoebe acredita no místico, o que gera vários conflitos com Ross, um cientista.
Chandler Bing: filho único de pais separados, sendo que sua mãe é escritora erótica e seu pai é um transexual que faz um show burlesco em Las Vegas chamado "Viva Las Gaygas", Chandler é amigo de Ross desde os tempos de faculdade e colega de apartamento de Joey durante algumas temporadas. É muito sarcástico, fazendo piadas sobre tudo e todos o tempo todo, utilizando isto como um mecanismo de defesa. Tem bastante dificuldade em se relacionar com mulheres, e o processo fica ainda mais difícil quando seus amigos implicam a todo o tempo com sua possível homossexualidade infundada, já que ele se apaixona por Monica e casa-se com ela. É um profissional bem-sucedido, embora ninguém saiba ao certo o que faz. Seu relacionamento com Monica é muito bom, apesar de muitas vezes inverterem os papeis de masculino-feminino. Isso é uma característica interessante da série; começar a quebrar os parâmetros de casais tradicionais, e isso também pode ser visto quando Chandler e Monica adotam um casal de gêmeos, já que se descobre que ambos são inférteis.
Joey Tribbiani: o único homem de uma grande família de 8 irmãos, nasceu e foi criado no bairro Queens. Trabalha como ator, tendo o papel recorrente como dr. Drake Ramoray na novela Days Of Our Lives, até o dia em que seu personagem cai no elevador, matando-o. Joey é um personagem ingênuo e, muitas vezes, até visto como estúpido, porém extremamente leal a seus amigos, especialmente Chandler, com quem divide o apartamento até este se casar. É mulherengo e conquistador, sempre utilizando sua frase de efeito "How You Doin'?". O maior aprendizado que Joey me trouxe é que não há problema algum em mostrarmos nosso lado mais vulnerável. Pelo contrário, isso só nos fará mais humanos. Isso porque o personagem é o mais sensível de todos, e o que melhor percebe quando seus amigos passam por algum problema.
Rachel Green: filha de uma família muito rica, Rachel sempre foi mimada, desajeitada e um tanto quanto passiva. A ponto de se casar com Barry, larga-o no altar e vai viver com Monica, sua amiga de infância e adolescência, em seu apartamento, onde muda completamente de vida. Arruma um emprego como garçonete na cafeteria Central Perk e passa a tomar conta da própria vida. Anos mais tarde, consegue trabalho em sua área de atuação favorita - moda - e com o passar do tempo vira uma profissional de sucesso. Passa, inclusive, a ser "a única filha de quem o pai realmente se orgulha", segundo as palavras de uma de suas irmãs, Jill. Portanto, Rachel tem um papel importante na série ao mostrar que um dos primeiros passos para a real maturidade é a conquista da independência, e embora haja lá seus altos e baixos (e que vida não é assim, afinal?), a personagem cresce muito.
Ross Geller: irmão mais velho de Monica, é um doutor em Paleontologia, trabalhando inicialmente apenas no Museu de História Natural, e, posteriormente, atua como professor universitário. Nerd assumido, casa-se com Carol, com quem teve um filho, Ben. Porém, descobre que sua esposa é homossexual. Além disso, casa-se, também, com Emily, e posteriormente com Rachel, por quem nutre uma paixão desde a adolescência. Seus três divórcios são uma piada recorrente na série que o deixam bastante inseguro. Ele e Rachel têm uma filha, Emma. Ross é considerado por seus pais o filho favorito, fazendo com que Monica se sinta insegura e gerando uma grande competitividade entre os dois. Mesmo quando está solteiro, nunca se descuida de seu lado paterno sendo muito dedicado e amoroso.
Phoebe Buffay: Phoebe tem uma história de vida bastante complicada. Foi abandonada por sua mãe biológica, morou nas ruas, viu sua mãe adotiva se matar e passou anos sem conhecer seu pai, além de ter um relacionamento conturbado com sua irmã gêmea, Ursula. Apesar de tudo isso, é uma mulher pacífica, alegre, bem humorada e desencanada, fazendo o que bem entende sem se preocupar com o que vão pensar. Teve vários empregos, mas durante a série trabalha como massagista terapêutica. É bem altruísta, a ponto de ser barriga de aluguel para seu meio-irmão, já que sua noiva não poderia mais ter filhos por causa da idade, gerando trigêmeos. Phoebe acredita no místico, o que gera vários conflitos com Ross, um cientista.
Chandler Bing: filho único de pais separados, sendo que sua mãe é escritora erótica e seu pai é um transexual que faz um show burlesco em Las Vegas chamado "Viva Las Gaygas", Chandler é amigo de Ross desde os tempos de faculdade e colega de apartamento de Joey durante algumas temporadas. É muito sarcástico, fazendo piadas sobre tudo e todos o tempo todo, utilizando isto como um mecanismo de defesa. Tem bastante dificuldade em se relacionar com mulheres, e o processo fica ainda mais difícil quando seus amigos implicam a todo o tempo com sua possível homossexualidade infundada, já que ele se apaixona por Monica e casa-se com ela. É um profissional bem-sucedido, embora ninguém saiba ao certo o que faz. Seu relacionamento com Monica é muito bom, apesar de muitas vezes inverterem os papeis de masculino-feminino. Isso é uma característica interessante da série; começar a quebrar os parâmetros de casais tradicionais, e isso também pode ser visto quando Chandler e Monica adotam um casal de gêmeos, já que se descobre que ambos são inférteis.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Carta a Meu Eu Adolescente
Cara Eu
Adolescente,
Se
pudesse encontrar uma forma de destinar-lhe esta carta, o faria, mas não para
pedir que mude meu passado, o seu presente. Gostaria, na verdade, apenas de
avisá-la que tudo ficará bem um dia. Sou você, mais de 15 anos depois, aos 28 anos, e, apesar de tudo o que sei que está passando, um dia isso acabará e
ficará tudo bem. Não perfeito, mas bem.
Gente
que você pensava que ficaria se foi. Gente que você pensava que iria embora
ficou. Amigas que você pensava que estariam sempre aí pra você irão te
decepcionar. Sei que o número já é pequeno, e com o passar dos anos diminuirá
ainda mais. Porém, posso lhe assegurar que a qualidade compensará a quantidade.
Quando finalmente atingir minha idade, os amigos serão poucos, mas ótimos.
Talvez não estejam sempre presentes fisicamente, mas nunca deixarão de te
apoiar quando mais precisar.
Serei
sincera: você sofrerá, chorará, sofrerá e irá chorar mais um pouco. Você está
passando pelo que talvez seja o período mais duro de sua vida, nossa vida. Pelo
menos no que já vivi até agora, posso afirmar isso. Quando, no futuro,
conversar com as pessoas sobre os tempos de escola e adolescência, será um
pouco dolorido pensar que não sentirá saudade alguma deste tempo, mas calma.
Isso tudo te fará ser alguém muito mais forte. Aprenderá que, não importa a
raiva que sentir de alguém, ela só fará mal a você mesma. Você
até pode se sentir mal, rejeitada e pra baixo, mas saberá que um dia passará.
Mesmo que demore, passará.
Valorize ainda mais a companhia de seus cães, pois não imagina como sentirá falta de ter um bichinho daqui a um tempo. Além da dor quase que insuportável da perda, o vazio que a casa tomará por não haver mais aquele choro quando alguém chegava em casa ou se aproximava da porta, pelos espalhados pelo corredor e os constantes latidos estressados quando sua vó visitar também não serão esquecidos.
Seus
gostos mudarão. Você descobrirá paixões que nem sabia que tinha e redescobrirá
outras das quais nem recordava. Ainda gostará de desenhar, mas não tanto quanto
escrever. Aquele concurso de poesia que ganhou em 2002 será crucial para isso.
Olha só, tive uma lembrança boa dos tempos de escola, afinal. E suas intenções
de faculdade também mudarão. Quer ser veterinária, certo? Pois bem, isso não
acontecerá. Você oscilará ainda entre cursos como Psicologia, Direito,
Engenharia Hídrica (pode rir), História, e, por fim, optará por Letras. Embora
muitas vezes tenha me questionado se foi minha melhor escolha, hoje em dia
acredito que não poderia ter cursado algo melhor. Ler, estudar e interpretar palavras
sempre foi minha maior paixão. Ah, e haverá um dia em que você voltará a uma de
suas escolas antigas e reencontrará uma inspetora de alunos, dona Edna. Ao te
questionar qual faculdade escolheu, ela irá rir e dizer que já imaginava. Por
quê? Bem, você sempre estará com um livreto de palavras-cruzadas na mão.
Apesar
de tudo, como já disse, você será alguém forte, mesmo que te digam o contrário. Muitos tentarão te
derrubar, alguns até conseguirão, mas você levantará e voltará ainda mais
forte. E mesmo sendo chorona, não se preocupe, pois chorar não é sinal de
fraqueza. Pelo contrário, é sinal de que você sabe bem o que sente. E mesmo
quando apanhar, você aprenderá que nem sempre vale a pena bater de volta. O
melhor é aprender a detectar e se esquivar de quem te quer mal para não ter que
fazer mal aos outros também. E aquela velha sensação de ser a ovelha-negra da
família e um peixe fora d’água ainda existirá, pois certas coisas não mudam.
Com
carinho,
Você
aos 28
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
O tempo cura?
Ouvi de meus pais, que por sua vez ouviram de seus pais, e daí por diante. Ouvi de amigos, de colegas, de meros conhecidos e desconhecidos. Vi em buscas no Google, em livros, filmes, séries e em centenas de publicações. Ouvi na televisão, no rádio e em músicas. A famigerada ideia de que o tempo cura todas as feridas é passada e repassada de tempos em tempos, de geração em geração. Então, posso lhe contar um segredo? Promete que não ficará bravo ou brava comigo? Bem, por sua conta em risco: isso é uma grande mentira.
Sabe qual o problema desta afirmação? Isentar responsabilidade. Não é que Renato Russo estivesse errado quando disse que "temos nosso próprio tempo". Aliás, vamos pensar um pouco: afinal de contas, o que é esse tal de tempo? Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, tempo é a "sucessão dos anos, dos dias, das horas etc.". Há ainda um exemplo com dar tempo ao tempo, que significa "esperar com paciência e confiança uma solução que virá com o tempo", neste caso expresso como o passar dos dias/meses/anos. Essa constante espera de que algo bom aparecerá um dia pode ser uma armadilha para o comodismo. Gosto de pensar na ideia de tempo como uma mistura do tempo-literal com a forma com a qual se lida com este: é preciso ter ação. De nada adianta passar meses esperando um suposto tempo curar uma ferida se não fizer nada para que isso aconteça. De nada adianta acreditar que as coisas melhorarão se não houver esforço para que elas realmente melhorem. Não há como querer curar um coração partido se você ainda tem um pé preso ao passado. Você tem seu próprio tempo - é verdade, Renato. Mas lembre-se disso na próxima vez em que encarar os ponteiros do relógio e marcar um X nos dias do calendário: o tempo não é o verdadeiro senhor da razão - você é!
Sabe qual o problema desta afirmação? Isentar responsabilidade. Não é que Renato Russo estivesse errado quando disse que "temos nosso próprio tempo". Aliás, vamos pensar um pouco: afinal de contas, o que é esse tal de tempo? Segundo o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras, tempo é a "sucessão dos anos, dos dias, das horas etc.". Há ainda um exemplo com dar tempo ao tempo, que significa "esperar com paciência e confiança uma solução que virá com o tempo", neste caso expresso como o passar dos dias/meses/anos. Essa constante espera de que algo bom aparecerá um dia pode ser uma armadilha para o comodismo. Gosto de pensar na ideia de tempo como uma mistura do tempo-literal com a forma com a qual se lida com este: é preciso ter ação. De nada adianta passar meses esperando um suposto tempo curar uma ferida se não fizer nada para que isso aconteça. De nada adianta acreditar que as coisas melhorarão se não houver esforço para que elas realmente melhorem. Não há como querer curar um coração partido se você ainda tem um pé preso ao passado. Você tem seu próprio tempo - é verdade, Renato. Mas lembre-se disso na próxima vez em que encarar os ponteiros do relógio e marcar um X nos dias do calendário: o tempo não é o verdadeiro senhor da razão - você é!
quarta-feira, 4 de maio de 2016
A armadilha do "e se(...)"
Há uns anos (2009/2010, para ser mais precisa), quando foi lançado o filme Avatar, lembro-me de ter lido e ouvido em um podcast algumas matérias chocantes relativas à película dirigida por James Cameron. Um número significativo de pessoas, especialmente jovens, e que, na verdade, deveria ter sido nulo, cometeram suicídio porque jamais conseguiriam viver em um mundo tão perfeito quanto Pandora, o planeta fictício onde o filme é ambientado.
Usei um exemplo extremo, obviamente, envolvendo depressão agravada, e nesse caso é preciso um olhar atento e pedir ajuda, mas quantas vezes não nos pegamos pensando em como as coisas seriam se fossem diferentes? Quantos "e se(...)" repetimos à exaustão quando a realidade não nos agrada ou é dura demais para ser encarada?
"E se eu tivesse comprado a blusa preta ao invés da branca?"
"E se meu último namoro não tivesse terminado ainda?"
"E se tivesse aceitado aquele emprego em outro estado?"
É claro que é bom (até importante, eu diria) considerar possibilidades, porém, apenas quando futuras. Talvez até seja um exercício para a imaginação pensar no que poderia ter acontecido, mas sem se esquecer de que (in)felizmente jamais sairá do status de "e se(...)". O presente é a única coisa que temos, e, ainda assim, nem dele podemos ter absoluta certeza. A vida pode tomar um rumo totalmente inesperado da noite pro dia.
Precisamos parar de perder tantas oportunidades de aprender com o presente enquanto ainda estivermos presos às possibilidades, sem focar no que é real ou até no que efetivamente já é passado. Somos levados a essa terrível mania de só querermos aquilo que não temos, inclusive memórias que não existem. "E se(...)" é uma armadilha de urso, e é importante tomar cuidado aonde se pisa para não prender o pé no passado.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Pequenas grandes coisas
Lembro-me de uns seis anos atrás, época em que trabalhei em uma grande empresa. O clima de estresse era sempre presente, até quando o dia corria tranquilamente. Minha semana estava horrível - brigando com meio mundo, TPM atacada, trabalhos na faculdade que nem tinha ideia de como iniciar. A pressão era tão grande que sentia que minha cabeça cairia no chão a qualquer momento, tamanho o peso que carregava mentalmente. Saí pra almoçar, numa tentativa rasa de acalmar os ânimos e, principalmente, porque já era hora. Quando voltei pro escritório, uma pequena surpresa: uma colega havia me deixado uma paçoca em minha mesa. Quando viu que peguei o pequeno doce, me disse que havia comprado apenas pra mim enquanto a esperava pagar a conta no restaurante. Aquele gesto, tão singelo e delicado, foi o suficiente para dar um ânimo diferente a meu dia. Pra mim, foi uma amostra preocupação de carinho, uma forma não-verbal de dizer "quero te ver bem". E olhe que nem sou lá uma grande fã de paçoca.
Temos tendência a gostar do grande e cinematográfico. Daquelas declarações de amor melosas e que, apesar de sabermos que são bregas, nos encantam mesmo assim. Das cenas pulos de um prédio até o outro, d'apenas o mocinho acertando tiros, e que nos fascinam e nos deixam êxtase mesmo sabendo do quão absurdas são. Entretanto, no mundo aqui fora, pós-fuga da realidade, nos damos conta de que faixas coloridas de "eu te amo" e carros de som servem muito mais pra declarar-se aos outros do que ao próprio parceiro ou parceira. Ok, cada um se declara da forma como achar conveniente, mas admito que sou meio contra este tipo de atitude escancarada; não apenas por ser chamativa demais, mas, principalmente, por acreditar que ela não cumpre seu papel de gritar "importo-me com você". Acredito que pequenas atitudes podem ser grandes, como uma paçoca em sua mesa num dia ruim, ou um "ouvi tal música e lembrei de você", muito mais do que um "eu te amo" gritado aos quatro ventos. Portanto, é melhor não esperar por um enorme buquê de rosas e um quarteto de cordas, ou uma trompa azul roubada de um restaurante (sacaram a referência?), e passa a valorizar mais os bombons e paçocas da sua vida.
terça-feira, 8 de março de 2016
Um brinde a você, mulher
Um brinde a você
Mulher que trabalha fora
Mulher que trabalha em casa
Ou que se vira como pode
Mulher que aguenta piadas
Mulher que xinga
Mulher que usa burca
Mulher que usa vestido curto
Mulher que anda de salto alto
Ou descalça
Mulher que ouve atrocidades
E coisas bonitas também
Mulher que "se dá respeito"
Mulher que "não se dá o respeito"
Mulher que gosta de homens
Que gosta de mulheres
Até de ambos ou nenhum, quem sabe
Mulher engenheira
Mulher professora
Mulher programadora
Ou até que nunca estudou
Mulher que se cala
Mulher que levanta a voz
Mulher que não se cala diante de um mundo torto
Um brinde a você
Mulher
A nós
Mulher que trabalha fora
Mulher que trabalha em casa
Ou que se vira como pode
Mulher que aguenta piadas
Mulher que xinga
Mulher que usa burca
Mulher que usa vestido curto
Mulher que anda de salto alto
Ou descalça
Mulher que ouve atrocidades
E coisas bonitas também
Mulher que "se dá respeito"
Mulher que "não se dá o respeito"
Mulher que gosta de homens
Que gosta de mulheres
Até de ambos ou nenhum, quem sabe
Mulher engenheira
Mulher professora
Mulher programadora
Ou até que nunca estudou
Mulher que se cala
Mulher que levanta a voz
Mulher que não se cala diante de um mundo torto
Um brinde a você
Mulher
A nós
terça-feira, 1 de março de 2016
Aroma de Café
Havia um bom tempo que ela não tomava um café bem amargo. O que antes era um pequeno prazer diário, tornou-se uma verdadeira tortura. Desde que seu ex a deixara para fazer um intercâmbio, nunca mais conseguiu sentar para tomar uma xícara sem queimar a língua ou salgá-la com lágrimas. Até tentaram, mas, infelizmente, a distância foi mais forte. Pensava sempre sobre como coisas que amamos podem nos embrulhar o estômago de repente. "Mas a vida é assim mesmo", murmurava.
Tomar um café diário enquanto falavam sobre os acontecimentos da semana era uma atividade só deles. Começavam sempre com as notícias ruins e reclamações. Em seguida, passavam para a conversa boa, pra não deixar o clima pesado. Eram amantes e melhores amigos. Lamentava-se; como ele pôde estragar todas as minhas boas novas com aquela notícia? E, pior ainda, em um dia tão chuvoso? Na contramão do que muito se prega, os dois adoravam observar a chuva. Sentiam-se bem em dias nublados. Ele a abraçava forte enquanto ela tirava sarro da água escorrendo todo o gel de seu cabelo. A vida é assim mesmo, pensava.
Mas talvez a vida não tenha que ser assim. Talvez logo encontre um novo motivo para apreciar os goles de café. A vida lhe ensinara que, por mais que a gente sofra, um dia entenderemos o porquê de tudo ter acontecido. E, assim, seguiu. Reaprendeu a bebericar seu café e, além disso, a apreciar uma boa cerveja. E, quando menos esperava, eis que seu coração volta a bater mais forte por alguém. E como tudo começou? Quando ele lhe pagou um café.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
A incrível geração que não aceita críticas
"Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar."
(Abraham Lincoln)
Sejamos francos: ninguém gosta de ser criticado. Todos queremos ser reconhecidos por nossas qualidades, e não ter nossas fraquezas expostas e apontadas por dedo em riste. Porém, há uma palavra que já fora usada em outros textos escritos por mim que pode ser uma das consequências de quando passamos a aceitar críticas, ou no mínimo ouvi-las sem surtar, e esta chama-se "amadurecimento".
Antes de continuar, vamos deixar claro - existe uma diferença gritante entre crítica e discurso de ódio. Você tem todo o direito de discordar de meu texto, este ou qualquer outro deste blog ou que eu publique em outras redes sociais e de meus pontos de vista. Porém, existem formas e formas de isso ser feito. Pra todo caso, leia novamente a citação no início.
Segundo o Dicionário Michaelis, criticar significa "examinar como crítico, notando a perfeição ou os defeitos ". Pensando especificamente na palavra examinar, imagine a seguinte situação:
Você está com uma dor de cabeça há três dias. Até que, finalmente, resolve ir ao médico. Sua principal desconfiança é de que esteja contraindo uma gripe. Após um pequeno exame, constatou que, na verdade, você precisa consultar um oftalmologista, pois a dor de cabeça é proveniente de forçar demais a vista e há a possibilidade de usar óculos. Você, por sua vez, briga com o médico por não concordar com o resultado, diz que seu trabalho não presta e que não entende nada de medicina. Por fim, espera pela tal da gripe chegar. Afinal, era sua ideia inicial.
Parece absurdo, não? Pois bem, é mais ou menos o que acontece quando não se sabe como reagir a uma crítica. Achar-se o dono da razão nada mais é do que pura insegurança, e de falsos mal-resolvidos o mundo já está cheio. Saber criticar e ser criticado é parte do dia-a-dia e serve para auxiliar a crescermos e sermos alguém melhor, além de ajudar outros a crescerem também.
E caso discorde do que escrevi, sinta-se à vontade para expor sua opinião. Só tenha argumentos mais inteligentes do que dizer "que texto lixo".
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Muro de Concreto
Um dia, todo mundo já se deparou com pessoas aparentemente frias, que sempre jogam na defensiva. Neste caso, gosto de dizer que possuem um muro de concreto à sua frente. Como proceder com estes seres tão frágeis, mas que nunca deixarão os outros verem isso? Deixarão, sim! É só saber agir.
Tentar derrubar o muro de nada adiantará, amigo. Por quê? Simples. O muro faz parte desta pessoa e qualquer mudança abalará suas estruturas. Ninguém muda, apenas se mostra. O verdadeiro segredo é: escale! Sim, escalar! Desperte o lado alpinista em você e escale o muro de concreto. Mas lembre-se: isso não pode ser feito de uma só vez. Vá aos poucos. Suba um pouco, pare e descanse. Continue a subir. Descanse. Repita o processo quantas vezes forem necessárias. Até que um dia, amigo, você finalmente chegará ao topo. Quando este dia chegar, é sinal de que conquistou a confiança da pessoa. E, a partir daí, poderá desfrutar de tudo aquilo que a pessoa tem de melhor. Basta ter paciência e escalar.
Tentar derrubar o muro de nada adiantará, amigo. Por quê? Simples. O muro faz parte desta pessoa e qualquer mudança abalará suas estruturas. Ninguém muda, apenas se mostra. O verdadeiro segredo é: escale! Sim, escalar! Desperte o lado alpinista em você e escale o muro de concreto. Mas lembre-se: isso não pode ser feito de uma só vez. Vá aos poucos. Suba um pouco, pare e descanse. Continue a subir. Descanse. Repita o processo quantas vezes forem necessárias. Até que um dia, amigo, você finalmente chegará ao topo. Quando este dia chegar, é sinal de que conquistou a confiança da pessoa. E, a partir daí, poderá desfrutar de tudo aquilo que a pessoa tem de melhor. Basta ter paciência e escalar.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Perder-se
Hoje é um daqueles dias em que só queria ter perdas boas. Dias dos quais perderíamos mais da metade do filme para nos perdemos em nossos corpos, perdermos as roupas, os lençóis e as vergonhas. Perder o fôlego e a visão, que viraria um grande borrão, e perder água em forma de gotas que passeiam por nossas curvas. Perder a voz em meio a tantos delírios e prazeres enquanto me faz perder as estribeiras de minhas próprias ações. Perder o controle é fundamental nessa perda de compasso em uma valsa louca e prazerosa. E perdem-se, também, os sentidos, que logo voltam mais aguçados do que nunca. Perco a compostura e a força nas pernas, que já estarão bambas a essa altura. E a gente se encontra quando nos perdemos um no outro.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Desabafo
Caso pudesse fazer apenas um pedido a algum gênio lâmpada mágica neste momento, diria que gostaria de estar bem longe daqui. Honestamente, não vejo motivos para continuar nesta vida. Nada mais encanta, ninguém surpreende. Viver no modo automático não é vida, mas apenas existência. Só não me autoproclamo um robô por causa de meus parafusos soltos. E não é fácil admitir isso quando se escreve sobre esta vil vida vivida. Banalidades não atraem, sorrisos sem rugas nos olhos não despertam o menor interesse. Um novo lugar é sinônimo novas experiências, novos sorrisos e até lágrimas diferentes. Até chorar sempre pelos mesmos motivos ficou cansativo.
Enquanto esta mudança não vem, sigo robótica e automaticamente na esperança de que um dia minha humanidade volte a ser o que era.
Enquanto esta mudança não vem, sigo robótica e automaticamente na esperança de que um dia minha humanidade volte a ser o que era.
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